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Visão Subnormal

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O que é?


De acordo com a 10ª revisão atualizada da Classificação Estatística Internacional das Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID-10), os valores de acuidade visual apresentada no melhor olho são empregados para a categorização da perda visual. Dessa forma, considera-se: deficiência visual leve ou ausência de deficiência visual (categorial 0) quando o valor é igual ou maior a 0,3; deficiência visual moderada (categoria 1) quando o valor é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,1; deficiência visual grave (categoria 2) quando o valor é menor que 0,1 e maior ou igual a 0,05; cegueira (categoria 3) quando o valor é menor que 0,05 e maior ou igual a 0,02; cegueira (categoria 4) quando o valor é menor que 0,02 e maior ou igual do que percepção de luz; cegueira (categoria 5) quando não apresenta percepção de luz. Tabela1

Se a extensão do campo visual for utilizada, uma pessoa com um campo visual menor do que 10º de raio ao redor do ponto central de fixação, no melhor olho, deve ser considerada cega (categoria 3). O termo baixa visão, empregado na revisão anterior da CID-10, deve ser substituído por deficiência visual moderada e grave.

A versão da 11ª Revisão da Classificação Estatística Internacional das Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID-11) foi apresentada, em junho de 2018, para que Estados Membros da Organização das Nações Unidas possam organizar sua implementação. A CID -11 será submetida à Assembléia Mundial de Saúde no mês de maio de 2019 e, após sua aprovação, os Estados Membros programarão seu emprego a partir de 01 de Janeiro de 2022.

De acordo com a 11º Revisão da Classificação Internacional e Estatística de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11) da Organização Mundial da Saúde, os valores de acuidade visual apresentada, com correção ótica se presente, são empregados para a categorização da perda visual. Para perda visual binocular e monocular, a medida deve ser realizada com ambos os olhos abertos e somente com o olho a ser pesquisado, respectivamente. Dessa forma, considera-se: ausência de deficiência visual (categorial 0), quando o valor é igual ou maior que 0,5; deficiência visual leve (categoria 1) quando o valor é igual ou maior a 0,3 e menor que 0,5; deficiência visual moderada (categoria 2) quando o valor é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,1; deficiência visual grave (categoria 3) quando o valor é menor que 0,1 e maior ou igual a 0,05; cegueira (categoria 4) quando o valor é menor que 0,05 e maior ou igual a 0,02; cegueira (categoria 5) quando o valor é menor que 0,02 e maior ou igual do que percepção de luz; cegueira (categoria 6) quando não apresenta percepção de luz. Tabela 2

Se a extensão do campo visual for utilizada, uma pessoa com um campo visual menor do que 10º de raio ao redor do ponto central de fixação, no melhor olho, deve ser considerada com cegueira binocular. Para pesquisa da cegueira monocular, somente o olho afetado deverá ser pesquisado.

Na CID-11 foram considerados, também, os valores de acuidade visual para perto. A deficiência visual para perto, quando há diminuição da resolução para distâncias curtas, deve ser pesquisa com ambos os olhos, com uso da correção óptica (se disponível) e na distância de preferência do indivíduo. Se os valores forem abaixo de 0,8M, a pessoa apresenta quadro de deficiência visual para perto. (Tabela 2)

As atualizações da 10ª e 11ª revisões da CID foram baseadas no “Desenvolvimento de Normas para Caracterização de Perda Visual e Funcionalidade Visual” da OMS (2003) e na Resolução do Conselho Internacional de Oftalmologia (2002).

Tabela 1. Categorias de deficiência visual segundo a 10ª Revisão da Classificação
Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
Capa

Tabela 2. Categorias de deficiência visual segundo a 11ª Revisão da Classificação
Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
Capa
O termo visão subnormal, ou baixa visão, é empregado quando há diminuição irreversível da visão apesar de tratamentos pertinentes ao problema visual e uso de óculos para correção de grau. No entanto, há visão que, ao ser utilizada funcionalmente, permite o planejamento e realização de tarefas. Se forem consideradas as categorias da OMS, a baixa visão corresponde às deficiências visuais binoculares moderada e grave na CID-10 e leve, moderada e grave na CID-11 (que será empregada em breve).

A cegueira, de acordo com a OMS, é quando há no melhor olho a acuidade visual abaixo de 0,05 (ou 20/400).

PANORAMA E CAUSAS DE DEFICIÊNCIA VISUAL NO MUNDO

Apesar do avanço tecnológico das terapias para as doenças oculares, a deficiência visual continua presente em importante parcela da população mundial e em todas as faixas de idade. Bourne et al (2017) observaram, com base em dados mundiais no ano de 2015, que:

• 188 milhões de pessoas apresentavam quadro de deficiência visual leve;
• 253 milhões de pessoas apresentavam quadro de deficiência visual (população composta por 217 milhões de pessoas com deficiência visual de moderada a grave e 36 milhões com cegueira);
• 89% das pessoas com deficiência visual encontra-se nas regiões mundiais com menor desenvolvimento social e econômico;
• 75% dos casos de deficiência visual são evitáveis (por prevenção ou tratamento).

As principais causas mundiais de deficiência visual (cegueira + deficiência visual moderada e grave) irreversível são: degeneração macular relacionada à idade-DMRI, Glaucoma , opacidades de córnea e retinopatia diabética.

A prevalência de doenças oculares que levam ao comprometimento da resposta visual cresce com o avanço da idade e taxas maiores de cegueira e baixa visão são observadas com o aumento da vida média da população. As principais causas mundiais de deficiência visual estão relacionadas à população idosa, como por exemplo, a catarata não operada, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade e a retinopatia diabética.

Deficiência visual na infância

De acordo com a Agência Internacional de Prevenção à Cegueira (2017), a faixa de idade de 0 a 19 anos, responde por 3,35% dos casos de deficiência visual observados globalmente. Estima-se, mundialmente, uma população 19 milhões de crianças, abaixo de 15 anos de idade, com deficiência visual. Desses casos, 12 milhões são decorrentes de ametropias não corrigidas e 1,4 milhões apresentam quadros de cegueira irreversível, o que pode implicar em 75 milhões de anos com a cegueira, equivalente à cegueira mundial por catarata, se considerado o tempo de vida com a incapacidade (DALY – disability adjusted life year). Dos 500.000 casos novos de cegueira na infância, estimados a cada ano, 60% vão a óbito nos primeiros anos de vida por causas evitáveis nas regiões menos desenvolvidas do mundo.

Nos países em desenvolvimento, a deficiência visual na infância ocorre, principalmente, em decorrência de fatores nutricionais, infecciosos e falta de tecnologia apropriada. Nos países com renda per capita intermediária, as causas são variadas e observa-se a retinopatia da prematuridade como causa emer¬gente de cegueira, com maior prevalência nos países da América Latina e leste europeu. Doenças degenerativas retinianas, doenças do sistema nervoso central e anomalias congênitas são observadas nos países desenvolvidos.

Haddad et al (2007) observaram as seguintes causas de deficiência visual em uma população infantil com deficiência visual, sem outras deficiências associadas, atendida no Serviço de Reabilitação Visual/ Visão Subnormal da Clínica Oftalmológica do Hospital das Clínicas e na Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual: retinocoroidite macular bilateral por toxoplasmose congênita (20,7%), distrofias retinianas (12,2%), retinopatia da prematuridade (11,8%), má-formação ocular (11,6%), glaucoma congênito (10,8%), atrofia óptica (9,7%) e catarata congênita (7,1%).